terça-feira, outubro 30, 2007

Crescer

“Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."
Cecília Meireles


Pessoas nem sempre sentem as mesmas coisas de igual forma. É por isso que temos o sofrimento, as mágoas, mas também as alegrias, as aventuras. Os pais, por exemplo, podem dar a mesma educação para seus filhos, mas cada um deles a apreenderá de uma maneira. E, nesse mesmo ritmo, temos todos os demais relacionamentos interpessoais.

Eduardo era uma dessas pessoas - tal como somos todos. Sofria por um amor perdido. Não conseguia compreender a razão de o que vivera ter-se perdido. Olhava para trás e só conseguia lembrar os bons momentos. Apagava os ruins. E, ao fazer isso, apegava-se a algo que já não mais existia.

Lembrava-se das viagens que fizeram juntos. Esquecia-se das brigas em que ficava sozinho em casa com uma porta recém batida em sua cara. Lembrava-se dos carinhos e surpresas intermináveis, mas se esquecia da dor de ver a outra pessoa nos braços de outro, dias após o término.

Acreditava em amor eterno. Era um romântico inveterado. Discordava da máxima “que seja eterno enquanto dure”. Para ele, deveria durar eternamente e para sempre. E, nessa de durar eternamente ele ia deixando sua vida passar. Conhecia novas pessoas e as comparava com a que não estava mais em sua vida.

Até que um dia alguém lhe disse: “talvez o que você tenha sentido não seja o mesmo que sentiam por você”. Foi um choque para Eduardo. “Como não poderia sentir o mesmo? Eu ouvi sinos quando a beijei pela primeira vez!?”

Mas, pensando melhor, analisando conversas e fatos, viu que a pessoa poderia estar certa. Levou um banho de água fria que, aos poucos, transformou-se em alívio. Percebeu que talvez já não amasse mais apenas uma pessoa, mas sim a idéia que havia feito de um relacionamento feliz. Mais, entendeu que na ânsia de fazer com que esse relacionamento de fato existisse, perdeu os melhores momentos ao lado da pessoa que amava. Notou que ele também tinha tido parte no fim.

Doeu, mas dessa vez a sensação foi diferente. Era a dor do crescimento, do amadurecimento. E, ao crescer Eduardo não viu apenas um amor perdido. Viu uma experiência maravilhosa. Tinha apenas uma certeza: na próxima não cometer os mesmos erros. Mesmo com o coração partido, as feridas começavam a cicatrizar e, assim, ele decidiu seguir sua vida. E, seguiu. Hoje, o que se sabe é que Eduardo é feliz, tanto quanto é possível para alguém ser. E, é assim porque passa por milhões de problemas, todos os dias, mas já sabe como os enfrentar.


Kalinka Iaquinto

quinta-feira, outubro 25, 2007

Ser ou não ser má...


“Meninas más não vão para o Céu...hmmm... Tudo bem!!!” – acordou - se é que se pode dizer isso depois de uma noite de, digamos, “insônia”-, com esse pensamento.

Estava se sentindo feliz, leve. Na verdade, não tinha a mínima vontade de ir para um lugar repleto de Anjos. Provavelmente aqueles caras chatos, metidos a enciclopédias ambulantes e engravatados que ela já conhecia ou então aqueles problemáticos terrenos que, por piedade, foram aceitos no Reino das Harpas e Flautas Celestes-Singelas-e-Suaves.

“Arg!!!”. Definitivamente isso não era para ela. Sensibilidade, sim. Atitude, sim. Personalidade, com certeza. Cachos? Isso era indiferente. Mas, asinhas? Nãããão.

Talvez ela fosse mesmo uma Menina Má, mas, como já diriam os “Garotos Maus e (também) Insones”: “Má e com insônia... muito bom!”...

E, assim, teve a certeza de que era Má. O que era maravilhoso, afinal, apenas Meninas Más viajam pela Via-Láctea em noites de lua cheia, passeiam pelo chão iluminado pela luz dessa mesma lua e vêem vaga-lumes dançando.
Como diria Shakespeare: Ser ou não ser... má, eis a verdadeira questão.

"Má, eternamente Má!!"

Obs.: Para os Meninos Maus (porque essa música não toca no reino das harpas e flautas singelas e suaves): http://www.youtube.com/watch?v=B7Ym2VmBTOA


Kalinka Iaquinto

quarta-feira, outubro 24, 2007

Think of Me (The Phantom of Opera)

Porque é preciso não esquecer...

Think of me,
think of me fondly,
When we've said goodbye.
Remember me once in a while
Please promise me you'll try.
When you find that, once
Again, you long to take your heart back and be free
If you ever find a moment
Spare a thought for me...

We never said our love was evergreen,
Or as unchanging as the sea
But if you can still remember,
Stop and think of me...

Think of all the things
We've shared and seen
Don't think about the way
things might have been...

Think of me, think of me waking silent and resigned
Imagine me, trying too hard to put you from my mind

Recall those days, look back on all those times
Thinks of the things, we'll never do
There will never be a day, when I won't think of you

Flowers fade,
the fruits the summer fade,
they have your seasons so do we
but please promise me, that sometimes
you will think...of me!

Versão antiga: http://letras.terra.com.br/fantasma-da-opera/803770/

terça-feira, outubro 23, 2007

Mover

Existe medo...
de escrever, de falar, de escutar...
Esse, o maior medo

Existem perdas...
Pode-se perder...
Mesmo algo que talvez não se tenha

Existe coragem...
E ela amedronta

Existe amor...
Ainda que se ame o amor sem o ter

Existe movimento...
Embora ele só exista se houver
medo, perda, coragem... amor

Kalinka Iaquinto

segunda-feira, outubro 22, 2007

Pessoas não são descartáveis



Algumas pessoas consideram as outras como sendo caixinhas de suco, ou seja, descartáveis. Consomem o que está dentro e depois, “pluft”, atiram a caixinha ao lixo. Pessoas assim merecem atenção. São seres tristes, apáticos. São dignas de pena.

Conheço algumas dessas. Como elas não sentem, acreditam que os outros também não vão sentir. E, nesse ritmo, vão usando as demais. Uma atrás da outra. Seja no trabalho, seja nas relações de amizade, seja em relações amorosas.

Para essas pessoas é fácil passar por cima das coisas, é fácil passar por cima dos outros. Nada as magoa. E, por isso, elas acreditam que o que fazem não vai magoar e, se for? Não tem problema. Não sendo elas as atingidas está tudo bem.

O ruim é que as pessoas que não são assim, aquelas que passam por cima do que sentem para ver os outros bem, essas são as que sofrem. Vêem-se desrespeitadas e nada podem cobrar. Não adianta.

Há diferenças gritantes entre os que descartam e os descartáveis. Os que descartam costumam proferir frases como: “Faço o que gosto, vivo o momento e arco com as conseqüências”, “Sou assim, não mudo. Quem quiser que goste de mim assim mesmo”. Os descartáveis costumam dizer: “Quero que ele seja feliz.”, “Quero o bem dela”.

Infelizmente os descartáveis sofrem muito, mas, de mesma forma, recuperam-se e estão sempre prontos para novas decepções, novos perdões. Por isso, os descartáveis devem agradecer aos descartadores: “Obrigado por nos mostrar o quanto somos mais elevados e maiores que vocês”.

E, sabendo disso, seguir em frente. Amar as pessoas como elas são, entender seus egoísmos e buscar relacionar-se com aqueles que compartilham de idéias “descartáveis”, mas que certamente deixam os descartáveis mais felizes no caminho em que os atira ao lixo.
Kalinka Iaquinto
P.S.: este é para uma amiga "aconchegada" ;)

sexta-feira, outubro 19, 2007

Era uma vez (by Fayga Soares)

A história de duas meninas que, por ironia do destino, tiveram uma caganeira fulminante e, diga-se, na mesma semana...

Em casa...

Vou começar com a Loirinha que iniciou o processo cagatório. Coitada. Muito inocente estava ela em sua casa, em plena segunda-feira à noite, penteando os cabelos e, sem pensar, soltou um pum ... logo veio o inesperado, o desesperador..............ploft!!!

Pronto!!! Acabou, quer dizer, começou o pânico. A menina teve uma noite de rainha, literalmente no trono. E assim foram dois dias em casa, cagando, desidratando e passando muito mal. Mas, quando ela melhorou um pouco, foi a vez de sua amiga, agora a Ruivinha, mas a situação dela foi ainda mais constrangedora...

No trabalho...

Ela acordou um pouco mal, mas pensou : " Ah ! não é nada, vou trabalhar!! "

E lá chegando, feliz e contente, o problema que se instalava dentro de sua barriga começou a piorar. Então todas as vezes que a barriga sinalizava, ela corria para o banheiro e muito feliz ficava em perceber que o cagatório estava vazio. Entrava na casinha, sentava e relaxava. " Ufaa ! Consegui e não me borrei!!!! "

Mas era só a Ruivinha fechar a portinha e sentar, que várias colegas do trabalho entravam no banheiro. Lei de Murphy !!!!! Nessa hora a menina precisava de muita calma e concentração para o barulho não estremecer o banheiro e elas saírem comentando: " Nossa tem uma mulher no banheiro que vai explodir!!!!!!!! "



PS.: Texto da minha amiga Fayga Soares em alusão à semana de duas pessoas que conhecemos muito bem ehehehehe. É aquilo: qualquer semelhança é mera coincidência hahaha

terça-feira, outubro 09, 2007

Peso morto? Tô fora!!!!

(Idéia e trechos do texto retirados de um artigo de Rosana Braga www.stum.com.br)

Conta a história que um Mestre e seu discípulo caminhavam em silêncio até chegarem à beira de um rio. Lá notaram que uma mulher gostaria de atravessá-lo, mas, sozinha, não conseguia. Imediatamente, o Mestre a tomou nos braços e a carregou até o outro lado da margem. Soltou-a e continuou sua caminhada, tendo ao seu lado o discípulo que o acompanhava.

No final do dia, o discípulo não agüentou e falou:
- Mestre, preciso desabafar! O senhor cometeu um gesto que contradiz as regras. Sabemos que não podemos tocar uma mulher e o senhor não só tocou uma como a carregou até a outra margem do rio... Como poderei confiar no senhor novamente se a regra não foi cumprida?

O Mestre, surpreso, respondeu:
- Do que você está falando?!?

E ao olhar para o semblante angustiado do discípulo, rindo-se, lembrou em voz alta:
- Ah! Da mulher que deixei lá atrás, no rio... Você ainda a está carregando?!?

Duas lições (segundo Rosane Braga): a primeira é que as regras são ótimas, desde que não esmaguem nosso coração. O Mestre fez o que sentiu que era certo fazer naquele momento - ajudar alguém que precisava dele! As regras?!? Ora... que regra pode ser mais importante que um sentimento bom?

A segunda é que, muitas vezes, assim como o discípulo, ficamos apegados a algo que já foi, que já acabou, que já passou... e esse ‘peso morto’ vai machucando nossos pensamentos, contaminando nossos sentimentos, envenenando nosso coração e nos induzindo a palavras e atitudes insanas, que só nos fazem mal; que servem, sobretudo, para nos fazer patinar e patinar sem sair do lugar... espalhando lama para todos os lados e sujando tudo ao nosso redor!

Seja lá o que for solte, desapegue, deixe ir embora... Abra seu coração e sinta sair de dentro de você as culpas, os erros, as regras não cumpridas, o que fez sem querer fazer, e o que não fez querendo fazer...

Enfim, tudo que já não serve mais, que acabou, que já foi! E, de agora em diante, que o passado seja apenas aprendizado; experiências que tornam você mais amadurecido, menos iludido, mais autêntico, menos dolorido. E com seu coração esvaziado da lama que o fazia patinar, você possa enxergar o que ‘é’ e o que poderá ‘ser’.

Afinal, é exatamente para nos lembrar desta possibilidade que o Grande Mestre nos deu um presente que ‘separa’ o dia de ontem do dia de amanhã: a noite - prenúncio de uma nova chance!

sexta-feira, outubro 05, 2007

Roda Viva


Tem dias que as coisas acontecem de um jeito inexplicável, mas o Chico (claaaaro) sempre consegue explicar... sendo assim, queimar neurônios para quê? ehehe

E, viva a roda viva, afinal, ces't la vie!!!


Roda Viva
(Chico Buarque)


Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá

Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá

Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola prá lá
Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá

Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

quinta-feira, outubro 04, 2007

Se eu pudesse


Se eu pudesse tiraria a dor daí
Desse lugar que nem você consegue encontrar

Se eu pudesse obrigaria seus olhos a brilharem
Tal como brilhavam há tempos atrás

Se eu pudesse traria de volta à sua vida as risadas soltas
Daquelas que contagiam os que as escutam

Se eu pudesse não o deixaria sofrer
Se eu pudesse sofreria por você...

Pois, por você já me acostumei a sofrer.



Kalinka Iaquinto
(como já dizia alguém: dias melhores virão!)