O Homem e a Cigarra
Ele, um senhor de seus 68 anos, estava no jardim, junto a um pé de ipê roxo. Daqueles que florescem lindamente em Brasília... chegava próximo ao tronco, parecia segurar algo que estava ali e, em seguida, soltava. Ficou por longas horas fazendo isso. Razão? Aparentemente nenhuma. Estranho? Muito.
....... observei melhor e vi que ele aprisionava e soltava cigarras. Mantinha as bichinhas em sua mão, fechadas, por alguns segundos e, com um sorriso, soltava-as.
Fiquei imaginando como seria um diálogo com aquele senhor. O que ele responderia se perguntasse a ele a razão de aprisionar e soltar cigarras?
Diria: “para que elas relembrem do tempo que ficaram sob a terra”.
Vendo-me sem entender nada, completaria: “após anos na escuridão, a simples possibilidade de voltarem a ela as atormenta. Por isso, ao fechá-las em minha mão, dou-lhes a oportunidade de escolher se querem se entregar à escuridão ou se preferem esperar pela liberdade. Quem já provou a liberdade, jamais volta à terra. Até agora todas preferiram a liberdade”.
..... não sei se ele me diria isso. O sorriso dele me diz que sim...
Esse texto dedico a todos que amo: meus pais, meus irmãos, meus parentes, meus amigos... pessoas que, independente de credos e de distância, sempre estão comigo. Nas horas boas e ruins de minha vida. Amo vocês!!
Kalinka Iaquinto
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