segunda-feira, novembro 28, 2005

O vizinho de baixo

Vizinhos do apartamento de baixo são sempre piores que os que moram no andar de cima. Se você é uma pessoa que mora só e passa o dia fora, pior ainda. Explico: eles (os vizinhos de baixo) se consideram no direito de ter o silêncio que você proporciona a eles por toda a eternidade. Duvida? Então experimente receber visitas.
Em dois tempos eles irão cutucar, compulsivamente, com o cabo da vassoura o teto do apartamento deles, chão do seu. Aliás, acredito que eles têm mesmo um prazer enorme em ir buscar a vassoura e cutucar o teto. Devem ficar de “butuca” esperando o menor barulho que seja... Essa deve ser a diversão de algumas famílias dos andares de baixo.
E o que dizer se você chegar em casa após às 22h? Pode ter certeza, mesmo que seja em um sábado eles ligarão para a síndica. Afinal, isso é tarefa para ela! Pode ter certeza.
Ok, ok, a regra é clara: silêncio após às 22h. Mas, não esqueçamos do detalhe: você NUNCA faz o maldito barulho!! Sabe o que é nunca? Então. Será que um único dia os matará? E, não esqueçam, nem um sábado, fim-de-semana, é perdoado.
Bem, a dica é: direitos iguais. Mostre a eles que você também não quer mais ser pacífica. Desista da postura de pacata cidadã. Não, você não quer mais aturar os barulhos feitos por eles.
Os filhos estão brigando? Pegue a vassoura e “tum-tum-tum”.
Estão chegando de madrugada do supermercado e fazem barulho? “olha a vassoura!!”.
Marido e mulher discutindo? Lembre-se, o ditado que diz que não devemos meter a colher na vida dos outros, já a vassoura.... o cabo dela, você pode meter a vontade. Portanto, abuse.
O casal faz amor e você escuta? Bem, aí não use a vassoura. Abra a janela de seu quarto e comece a dar dicas de como eles podem fazer. Se eles não escutarem, faça o seguinte: ligue para o síndico (mesmo que sejam 3 horas da madrugada) e peça a ela que ligue para o casal.
Imaginem: “Sr, Carlos, aqui é a síndica. Estou ligando porque a moradora do 2011 pede que o senhor pare de fornicar com sua esposa, pois ela não consegue dormir”.
Essa sim é verdadeira vida em sociedade!
Kalinka Iaquinto

sexta-feira, novembro 11, 2005

Homens e Mulheres


Eu e umas amigas do trabalho estávamos conversando sobre declarações recentes feitas pelo Roberto Justus. Aquele de olho estalado que já foi casado (mesmo que rapidamente) com a Galisteu.

Enfim, a besteira que ele disse nos rendeu um excelente papo. Uma conversa que pode ser passada a todos por meio do texto da Martha Medeiros que a Susi enviou para mim.

* Para quem não sabe, em entrevista à Playboy ele disse que não namora mulheres mais velhas (leia-se: de sua idade) porque não suporta o que o tempo faz a elas..... Sem comentários!

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FEIOS PORÉM LINDOS
Martha Medeiros

Era um poeta maravilhoso, esse Vinicius de Moraes, mas deixou imortalizada uma frase que jamais sairia da boca de uma mulher.

Aos feios, as mulheres dão boas vindas, desde que por trás do olho que não é azul e do corpo que não é atlético haja bom humor, inteligência e sex appeal.Nunca veremos Brad Pitt e George Clooney namorando feinhas, mas já vimos Julia Roberts casar com Lyle Lovatt,um músico que tinha o rosto decorado com crateras, e a estonteante Sharon Stone desfilar com baixinhos barrigudos até contrair matrimônio com um senhor que mais parece um boneco de cera.Há quem defenda a idéia de que mulheres casam com qualquer um, desde que tenha poder ou dinheiro.

Poucas.Não foi o caso de Julia Roberts nem o de Sharon Stone, ricas e poderosas por si só, e também não é o caso de muitas Lucias, Andreas, Cristinas, Danielas, Fernandas e Jussaras anônimas.

Mulheres preferem ser amadas do que invejadas. Essa história de beleza tem a ver com atração, que tem a ver com "a primeira impressão é a que fica", que tem a ver com inícios de relações. Se a garota for um canhão,as chances de conquistar um deus são quase zero (é uma generalização, toda regra tem exceções).

Já se o garoto for feio,porém espirituoso,talentoso e autoconfiante, pode descolar o número do telefone da Marisa Monte. Lembrem-se que ela já namorou o Nando Reis, dos Titãs. Alguma coisa ele tem de lindo.

Mick Jagger é raquítico é branquela. Gerald Thomas é raquítico, branquela e usa óculos. Woody Allen é raquítico, branquela, usa óculos e está quase careca. Apesar desse quadro de horror, sei de muita mulher que não os expulsariam da sua cama.Será que elas nunca ouviram falar em Mel Gibson,Antonio Banderas, Pedro Bial? Elas nunca ouviram falar é que beleza garanta o conteúdo.

Mulher tem faro, não se contenta com a embalagem. É bem mais comum ver uma mulher linda acompanhada de um homem aparentemente sem graça do que o contrário.Não é (só) porque a concorrência é implacável e nos contentamos com o que sobra. É porque mulher tem raio-x: consegue olhar o que se esconde lá dentro.Se além de um belo coração e um cérebro em atividade ele ainda for apetecível, é lucro.Pena que a recíproca raramente seja verdadeira.

Economizaríamos fortunas em cabeleireiros e academias se os homens fossem direto ao que interessa, na alma e no espírito, para os quais não adianta maquiagem.

quinta-feira, novembro 10, 2005

O Vôo





Essa aconteceu com um amigo, paraibano, muito querido.




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Atenção passageiros do vôo 8657 com destino a João Pessoa. Embarque imediato pelo portão 8

Ele hesitou, mas, enfim, embarcou. Foi até sua poltrona. O corredor era imenso e todos olhavam para ele. Tá certo que ele era o último a entrar ali, mas precisava disso? Enquanto andava só conseguia pensar na distância entre a porta de entrada e seu lugar. “Será que não havia uma poltrona mais perto?”

O lema era não pensar nisso, mas sim seguir em frente, chegar ao seu lugar, sentar e esperar..... ai, mas a viagem era de quase três horas!!! Pânico.

“Não, vamos lá, três míseras horas passam muito rápido. Isso. Passam voando........ ai, mas e se acontecer algo? Uma explosão mataria a todos, mas seria melhor que a falta de combustíveis...”

Ele sacode a cabeça. Pensamentos ruins devem ser afastados, banidos..... a barriga ronca. É o prenúncio de um mal maior.

“será que dá tempo de ir até o banheiro?”

Ele, decidido, levanta-se antes do fim do embarque. É um longo caminho até o banheiro, apesar da pouca distância. Chega lá e... nada. Espera um pouco, nada ainda. Resolve voltar à sua poltrona. Pronto: lá vem a dor novamente. Dessa vez mais forte e acompanhada de calafrios e de um suor frio.

“Isso é psicológico. Só pode ser psicológico”

O destino é o banheiro. Novamente. Lá vai ele e... nada.
De volta ao seu lugar, poltronas na posição horizontal, todos sentados, portas fechadas..... PORTAS FECHADAS? Desespero.

“Preciso me controlar. Qual era mesmo a respiração? Qual era a... O avião está se mexendo?”

Ele toca a campainha. Precisa da comissária. Dizer a ela que está passando mal e que tem de sair do avião.

“O senhor quer um calmante?”
“Não! Quero descer!”
“Infelizmente, senhor, já estamos nos preparando para decolar...”

A palavra decolar é aterradora. Ele se desepera.

“Mas eu preciso descer. Preciso. Você não está entendendo”
“Quem sabe o senhor toma um dramin? Não seria bom?”

Já visivelmente alterado: “VOCÊ NÃO ESTÁ ENTENDENDO. PRE-CI-SO DESCER. AGORA! SENÃO VOCÊS TERÃO MUITO TRABALHO LÁ EM CIMA.”

A comissária interfona para o piloto. Em poucos minutos o avião começa a se mover em direção ao seu local de origem.

“Boa noite senhores passageiros, quem fala é o comandante Airton. Devo-lhes informar que estamos retornando ao portão de embarque...”

Os passageiros começam a cochichar. Um absurdo! Voltar? O quê?

“... temos um passageiro necessitando de cuidados médicos...”

Novo buxixo. Dessa vez todos querem descobrir quem é o tal doente.
Ele, o doente, chama a comissária. Precisa sair pelas portas dos fundos, afinal é a mais próxima de sua poltrona. Será que ele pode ir para perto da porta? Aproveitar que as luzes ainda não estão totalmente acesas? Não? Ok, mas é garantido que sairá pelas portas traseiras? Ele fica mais calmo.

O avião pára. Nenhum sinal de porta se abrindo. O quê? Ele terá de atravessar o corredor inteiro? O imenso corredor?

“Ai que vergonha! Ai que dor de barriga!”

Tudo certo. É só contar até três e.... ele passa como um raio por entre as poltronas. Está prestes a pisar a escada, mas alguém o segura pelo braço.

“ãh?”
“desculpe senhor, mas nossos passageiros não saem sozinhos em situações de emergência”
“não, não se preocupe...”

Barulho de sirene. Uma ambulância corre pela pista do aeroporto em direção ao seu avião.

“Teria sido mais fácil agüentar as três horas!”

os passageiros, curiosos, grudam seus rostos nas janelinhas. Da ambulância saem dois enfermeiros carregando uma maca.

“Coisa de filme!”

A situação só faz aumentar seu nervosismo. O suor aumenta, os calafrios idem. Começa a descer as escadas rapidamente.

“tudo isso por causa de uma caganeira”

As pessoas olham pela janela. Ele sabe disso. Sabe também que está prestes a ter um piriri. Ele precisa manter sua honra. Ao pisar no solo ele finge um desmaio. No mesmo instante o pior acontece. Mas, felizmente, apenas ele e os dois enfermeiros percebem. Sua honra continua intacta.
Kalinka Iaquinto

terça-feira, novembro 08, 2005

Sobre o chato

Certa vez li uma crônica escrita pelo Jô Soares (na época em que ele ainda escrevia para a Veja, ou seja, faz tempo) e ele falava a respeito dos chatos. Nunca esqueci que ele dizia “chato é aquele que ao você perguntar “tudo bem?” ele diz que não e conta toda sua vida. Bem, hoje meu dia não foi dos melhores, por isso fiquei imaginando como seria se me perguntassem “tudo bem?”....

A cena se daria dentro do ônibus. O “alguém”, seria um ilustre “quase desconhecido” (sim, porque os chatos têm mania de contar as coisas às pessoas que não se interessam por suas vidas).

Alguém – “Tudo bem?”

Eu – Bem? Bem nada. Acredita que acordei atrasada hoje? Cara, levantei correndo e peguei um táxi. Ok. O cara demorou para passar lá em casa e quando chegou não se dispos a sair de dentro do carro para tocar o interfone. Ok, sou paciente e o dia estava apenas começando. Pois é, daí digo para ele voar até o lugar em que terei uma consulta. Psiquiatra... sabia que faço análise?

Alguém – É?

Eu – Sim, mas não me olhe desse jeito. Na verdade todo mundo deveria fazer uma análise. Ajuda muito. Eu vejo melhoras em mim dia após dia. Bem, onde é que eu estava mesmo?

Alguém – é...

Eu – ah! No táxi. Indo para o psiquiatra. Então, chego, atrasada, no local do médico e o que acontece? O taxista não têm troco para uma nota de R$50. Peraí, quem é que não tem troco pra isso?... de qualquer forma, ele não tinha. Resolvo dar um cheque. Aí é que você vai entender meu carma. Acredita que ele se meteu na minha vida?

Alguém – é?

Eu – sim. O infeliz do taxista – não sei se ele é feliz, mas para mim é infeliz-, além de não ter troco, veio dizer que não compensaria eu dar um cheque por conta do baixo valor da corrida. Ai, vamos combinar né? Além de eu ter de pagar uma taxa pela droga do cheque ainda tenho que ouvir sermão do motorista? Não. É demais não é?

Alguém – é.

Eu – então. Pra piorar chego ao médico e ele não me atende. Sim, porque eu estou 30 minutos atrasada. Só meia horinha e perco a consulta, eles, médicos, sempre atrasam e a gente fica lá esperando feito besta, mas quando nos atrasamos o que eles fazem? Dizem que não nos atenderão e ainda cobram a consulta. Um desaforo!!! Fico indignada com isso. Mas ok, paguei a consulta e fui para o trabalho. Pelo menos cheguaria mais cedo e adiantaria o serviço. Aí é que vem o pior.... adivinha só o que me aconteceu?

Alguém - ........

Eu (antes que o outro possa responder algo) – olho para o lado e o que vejo? Meu cabelo. Está um horror. Pareço aquele leão que aparece nos filmes... qual é mesmo o nome do Estúdio?

Alguém (abrindo a boca para falar algo sobre o que realmenrte sabe quando é interrompido bruscamente)

Eu – bem, não importa. O importante é que eu estou horrível. Meu cabelo está horrível, tudo está um horror.

Nesse instante Alguém começa a se movimentar.

Eu – já vai? Mudou de emprego?

Alguém simplesmente balança a cabeça e sai do ônibus. Ao descer escuta apenas o meu “tchau” e “me liga para eu te contar o resto da história”. Na cabeça dele? “Graças a Deus não tenho o telefone dela. Isso compensa o fato de eu ter descido 20 pontos antes do meu”.

Kalinka Iaquinto