O Dia D
Todo mundo tem seu dia D, o problema é quando o Dia D de todo mundo cai no mesmo dia e no mesmo local. Foi isso que aconteceu no gabinete de um parlamentar em Brasília.
Tudo começou quando um Loiro, meio metido a dinamarquês, passou de branco a branco com petit poá vermelhos. Sim, ele era muito ligado à moda. Mas, não. Não era um terno fashion. O Loiro estava doente, com rubéola. Nada demais se ele não fosse hipocondríaco a ponto de alertar todas as unidades médicas de Brasília para seu caso. Resultado: um bando de enfermeiras e médicas alopradas adentrando por todos os lados do gabinete.
Era manhã de sexta-feira, os funcionários aguardavam calmamente o horário do almoço quando as Doidas do Serviço Médico entram e dirigem-se para a sala do parlamentar. A Líder do bando gritava: “Tragam todos, tragam todos!”. Os funcionários, assustados, sentem-se como no filme “Ebola” ou então como gado no matadouro, tal o alvoroço das senhoras de branco.
Enquanto isso, um senhor que carregava as vacinas perdia-se gabinete adentro... Uma funcionária, hipocondríaca, liga para seu pai: “Pai... posso tomar vacina contra rubéola? Não afina o sangue? Não tem contra-indicação? ... Como assim se for preciso?...”
Nesse meio tempo, todos se encaminham para a sala do parlamentar e a Líder desespera-se: “Já chegou todo mundo? Já chegou todo mundo? Não quero ficar feito papagaio aqui”. Uma das funcionárias do gabinete diz: “Mas é assim tão difícil falar?”... no meio do tumulto de pessoas e vozes as ajudantes da Doida de Branco estão de costas para os funcionários.
A Líder explica a todos que a correria se deu em razão de o dia ser o Dia D para a não-manifestação do vírus. Assim, todos deveriam ser vacinados.
No meio do caos muitos olhares amedrontados e risadinhas abafadas passam despercebidas. A Líder do bando está terminando sua explanação quando uma das enfermeiras vira-se e diz: “A vacina é tríplice”. Aqueles que não foram atingidos pelas turbinas da Enfermeira-Robocop-Queria-Ser-Capa-da-Playboy, não conseguiram prestar atenção no que elas falavam. Seus olhos dirigiam-se para as turbinas da dita cuja. Talvez por medo de serem atingidos...
Enfim, a fila é formada e as Chefe e Sub-chefe de gabinete dão exemplo e tomam frente na vacinação. A Líder do bando das Doidas de Branco faz uma série de piadinhas infames, afinal, não é ela quem está sendo furada... Assim que a Chefe sai da fila todos notam alguém saindo em disparada... uma pessoa que saiu correndo em tons marrons e foi encontrado em tons de branco. Era um dos funcionários com aversão a agulhas.
“Respira fundo”, dizia um. “Faça respiração cachorrinho”, dizia outro. “Abaixe a cabeça”, mais um... Ninguém via que o medo já havia sido superado. O problema do rapaz agora era falta de ar. Muita gente em cima dele o fizeram perder o medo na marra, mas o ar (já rarefeito por conta da falta de umidade da cidade) estava sendo disputado a tapa.
Enquanto isso, a fila segue... as mulheres vão sendo vacinadas e os homens, muito corajosos e, nessa hora, muito cavalheiros, distanciam-se cada vez mais. Um deles, gaúcho da campanha, ao ser vacinado pergunta à Robocop: “você já ganhou algum prêmio na Expointer?”
Robocop é sucesso. Tanto que uma funcionária do gabinete, um tanto quanto distraída, elogia “Que lindo seu peito! É silicone?”. Ao que a “sexy girl” responde: “Sim, sim. 270 mililitros de cada lado e a cicatriz está aqui em baixo...”
Após o constrangimento a seqüência de injeções segue seu rumo. Todos voltam a seus lugares quando, de repente, começam a chegar os funcionários retardatários... o desespero da Líder é visível (e audível). São diversos “Aspiiiiiiiiiiiiiiiiiiiira!!!” e lá vai ela e sua equipe correndo atrás do pobre que nem sabe o que está acontecendo.
Entre um “Aspiiiiiiiiiira” e outro a Robocop entra na sala da Comunicação feito um colibri em dia de banho “E o senador, cadê o senador? Ele teve contato?”... Sorte o parlamentar estar bem distante, caso contrário poderia se livrar de uma rubéola, mas sair com um dos olhos roxos.
Ainda em clima de alvoroço chega o senhor do frango. Sim, nem o pobre que chega carregando o almoço (frango assado) em uma das mãos é poupado. Antes mesmo que ele solte a panela tem o braço agarrado por uma das doidas enquanto a Líder vai subindo a manga da camisa e... “Pronto! Menos um!”
Após a saída das Doidas de Branco mais três retardatários chegaram. Um deles, louco para ir tomar a vacina começou a ir atrás dos outros “Vamos! Vamos! Vamos!”... Um dos retardatários, uma jovem, voltou aos prantos... não se sabe se por dor, medo, hipocondria... a questão é que o Dia D mostrou a todos que rubéola enlouquece, as Doidas que o digam.
PS.: Os vacinados torcem para que o parlamentar não tenha pegado o vírus e para que o motorista do mesmo tenha se lembrado de ir se vacinar ehehehe
Kalinka Iaquinto
.jpg)
