quarta-feira, agosto 08, 2007

O Ser Volúvel



Volúvel, do latim “volubile”, significa inconstante, mudável, instável. Na Botânica, diz-se da planta cujo caule se enrola num suporte.

Diogo conhecia as artimanhas do amor. Era um verdadeiro Don Juan. Fosse um mulherengo barato, lascivo e sedutor ou um amante, de fato, de cada uma das mulheres que conquistava, a verdade é que Diogo conseguia enredar em suas teias cada uma das mulheres a que se propunha.

Fazia-as acreditar que eram amadas, que eram especiais, que eram únicas. Mas, o momento que parecia eterno acabava. Com tal rapidez que machucava... as damas. Mas, nem assim ele assumia sua falta de amor. Sempre encontrava uma desculpa: ora era a distância física entre o casal, ora o ciúme da mulher, entre tantas outras coisas... Muitas as desculpas, mas apenas um fato: Diogo não era feliz. Era, sim, um ser volúvel. Um ser sempre buscando um “caule em que se apoiar”.

Aproveitava-se das mulheres para ter noites de sexo, para viajar, para sair... enfim, aproveitava-se. No fundo, sabia de seus erros e, cada vez que eles ameaçavam aparecer, fugia. Caía nos braços de outra. Novas mulheres, novas aventuras, novas mentiras.

As mulheres enganadas, por sua vez, sofriam, mas ganhavam. Sim, no fim conheciam o amor ideal por meio da pessoa errada, mas, a partir dessa experiência, estavam aptas a encontrar o verdadeiro amor na pessoa certa. Por vias tortas, ele as ensinava.

Diziam e viam em Diogo, o Ser Volúvel, aquele tipo de homem que todas deveriam ter um dia e, somente, por um dia. Em sua volubilidade Diogo ensinava as mulheres a identificar e reconhecer os verdadeiros homens e aqueles que, como ele, faziam parte dos popularmente conhecidos “cafajestes”. Mas, os cafajestes têm seu valor. Merecem seu reconhecimento e toda a pena possível.

Sim, pena. Diogo não era feliz. Nunca conseguia amar, doar-se, porque não tinha amor por si. Essa falta de amor próprio é que o levava para diversos braços, diversas camas, diversas bocas... Ele estava fadado a ser um ser triste e solitário. Pena, porque ele não conseguia ver cada uma das mulheres especiais que passaram por sua vida. Pessoas que se entregaram de alma plena, coisa que ele não conseguia fazer.

Em sua busca pelo amor fugaz e rápido, Diogo se esqueceu do amor próprio e do respeito a si mesmo. Aí a causa de toda sua falta de respeito com as mulheres com quem se relacionava. O Ser Volúvel tinha esperanças de, um dia, encontrar o amor... infelizmente ele era cego e não percebia que somente ele poderia resolver isso. Pena que apenas ele não notara que o amor verdadeiro já havia passado diversas vezes por sua vida, mas ele, cego pela luxúria, não havia apreendido nada desse amor que ama, pura e simplesmente, por acreditar que poderia dar certo.
Kalinka Iaquinto